Camila Yahn

Esqueça a afetação e a excentricidade típica de quem faz parte do universo fashion. Por trás de seu jeito despretensioso, Camila Yahn, 36, revela experiência e frescor. Atriz por formação e jornalista por vocação, sua carreira no mundo da moda começou quase por acaso, ao lado da jornalista Erika Palomino, no jornal Folha de S.Paulo.

Em poucos anos a jornalista se tornou um nome promissor do jornalismo de moda brasileiro. Para ela, o jornalismo e a crítica de moda no Brasil ainda são mal feitos. “As pessoas gostam de ver ‘o circo pegar fogo’. Mas você não pode simplesmente falar que a roupa é feia ou de mau-gosto.” A jornalista aponta que é preciso ir para os desfiles ou lançamentos de coleções bem preparado, tendo lido ou conhecido um pouco do histórico da marca e do trabalho do estilista.

Para ela, um exemplo de um bom estilista é o Alexandre Herchcovitch. “Obcecado pelo trabalho, ele sabe tudo: o zíper, o botão, o tecido, a textura, a cor. Ele é o cabeça! Além de ser um menino super criativo e focado, ele soube aliar a parte da estrutura com o negócio de ter uma marca, porque é muito difícil, se gasta muito dinheiro, e se não vender e não fizer tudo direitinho você vai falir em três meses.”

Camila afirma que a grande maioria dos recém-formados em moda já entram no mercado sonhando alto e menosprezando as oportunidades menores. E, para ela, mais uma vez esse é o maior erro da nova geração: a falta de esforço, de interesse, de querer crescer. “Se você faz moda e quer trabalhar na 284, com as filhas da Daslu, você está espremendo sua linha de possibilidades em 90%. Vão ter três marcas no perfil que você quer e três mil meninas querendo aquela vaga. Agora, existe uma série de outras possibilidades, aí é aquilo que eu falo, as pessoas querem ir trabalhar com moda por causa do glamour, mas tenho que admitir que não tem nada de glamour, gente! Poucos momentos de glamour.”