Regina Guerreiro

- Alô? Quem fala?
- É a Dona Regina...
Era difícil de acreditar, ela estava do outro lado da linha!

“Quando comecei a ir para Paris não existia prêt-à-porter, só existia alta costura. Eram aquelas salas superfechadas, aquela moda realmente muito bem feita, não o que é feito hoje.” Em 1959, Pierre Car- din foi expulso da Câmara Sindical de Alta Costura, por ter industrializado a moda, “quer dizer, ele realmente foi um visionário! Viu que sua criação podia atingir várias pessoas. E foi o começo do prêt- à-porter no mundo.”

Neste período o romantismo, com suas saias rodadas e cinturas marcadas, estava abrindo espaço para uma nova estética: a da minissaia, do preto e branco, das estampas florais e da pop-art. A sociedade de consumo começava a se desenhar e junto a ela, a explosão da juventude e dos ideais de liberdade. A jornalista acompanhou de perto este movimento.

Editora das revistas de moda mais importantes do país, como a Manequim, Claudia, Vogue e Elle, Regina Guerreiro se consolidou como pioneira do jornalismo de moda brasileiro, por isso, conse- guir seu telefone, era a tarefa mais desafiadora. Depois de muita pesquisa pela internet, com as asses- sorias de imprensa e com os jornalistas do meio, tínhamos aqueles oito e preciosos números em mãos. Era só marcar. Ledo engano. Em janeiro desse ano, seu amigo de infância, e primeira paixão, Luiz Dias Correa de Barros, morreu de câncer. Apesar de não terem sido casados, moravam juntos, no aparta- mento de Regina. Desde então, ela não se recuperou. Nos dias em que incansavelmente ligávamos em sua casa, Rose, sua assistente, dizia que ela não estava bem e não saia do quarto nem para comer. Ten- tamos por dias a fio, foram mais de 10 telefonemas, até que resolvemos esquecer, afinal, nosso prazo era curto. Duas semanas se passaram e decidimos fazer nossa última tentativa. Já era quase meio-dia quando fomos surpreendidas por uma voz peculiar.