Vivian Whiteman

Só de entrar na Folha de S. Paulo já é possível sentir o clima descontraidamente tenso que paira entre as centenas de jornalistas que trabalham ali. Esqueça aquela imagem de mesas sujas e mal acabadas, com milhares de copinhos de café empilhados. Pense em um ambiente clean, com cadei- ras de madeira clara em design moderno. E é no vaivém de profissionais que aguardamos a chegada de Vivian Whiteman. A jornalista não demorou dez minutos para chegar. Com um jeito simples, mas de quem sabe das coisas, apontou inúmeras falhas no jornalismo de moda brasileiro, e contou um pouco do seu dia a dia.

Vivian afirma que, para escrever bem sobre moda, é necessário mais conhecimento geral do que apenas das disciplinas relativas ao assunto. É preciso conhecer tudo o que abarca o universo da moda: comportamento e o pensamento das pessoas, afinal, moda é uma expressão da sociedade. “Você precisa entender o mundo em que vive e onde essa moda aparece.”

Sobre os momentos de glamour e culto ao belo que presencia no seu dia a dia, – mas que nem por isso torna seu trabalho e sua vida mais charmosos – Vivian declara Todo mundo acha que é maravilhoso. Sim, é muito legal e tem coisas maravilhosas. Mas é um mês que você fica longe da sua família, da sua casa. Pulando de semana para semana, viajando um mês com uma mala gigante, sozinho. Acordando às sete horas da manhã e seu último desfile é às nove e meia, dez horas da noite – quando não atrasa, e depois de tudo isso você ainda tem que fazer as matérias, e atualizar o site. Não é fácil.”

A moda no Brasil, segundo a jornalista, ainda está crescendo. Para ela, os primeiros e mais decisivos passos foram dados por pioneiras que até hoje atuam no mercado de trabalho, como Regina Guerreiro, Costanza Pascolato e Gloria Kalil. “Aqui no Brasil é tudo muito novo, estamos nos desenvolvendo ainda. Está acontecendo. É um país jovem, com um mercado de moda também muito jovem.”